UM BREVE DIÁLOGO ENTRE VOLTAIRE E EPICTETO

Por Juliana Vannucchi

Voltaire ensina-nos que todos nós temos dois olhos, um que nos permite ver os bens da vida e outro que permite que vejamos seus males. O filósofo explica que a maior parte das pessoas tem o péssimo hábito de fechar o primeiro e ver somente através do segundo, que estraga tudo aquilo que enxergamos e que só nos induz a focar no lado ruim das coisas. Trata-se, diz o pensador francês, de duas perspectivas que sempre nos acompanharão e compete a cada indivíduo escolher qual olhar aplicará ao mundo. No conto “O Carregador Zarolho”, Voltaire apresenta a história de um homem chamado Mesrour que a princípio parece ser um sujeito desafortunado, mas que na verdade, era um indivíduo suficientemente satisfeito com a vida, pois ele tinha apenas um olho, sendo que o outro que lhe faltava era justamente o que enxergava o lado ruim das coisas…

Epicteto, num dos ricos ensinamentos do Manual ensina-nos que tudo tem duas alças e, portanto, é possível tomar qualquer situação por dois lados, sendo que nesse caso, cada pessoa será responsável por escolher a quer irá se apegar. Se, por exemplo, seu irmão ou irmã pratica uma ação injusta contra você e isso se torna um problema, a questão que se coloca é: em que você vai focar? Irá se concentrar nessa injustiça causada ou conservará consigo a história que vocês dois tem juntos, que envolve uma mesma criação, um passado em comum, vivências conjuntas, bons momentos  e etc? Por qual alça você carregará isso? A decisão é sua, poiso filósofo estoico também ensina que seus pensamentos, desejos e impulsos estão sob seu controle, sendo aspectos mutáveis e neutros da vida que se encontram naturalmente à sua disposição e que você é capaz de alterar.

 

 


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